O videógrafo e o fotógrafo trabalham bem juntos quando falam antes do dia e combinam três coisas: quem fica de que lado na entrada, quem manda na hora do retrato, e quando é que se liga uma luz. São cinco minutos de conversa. Sem eles, vocês passam o dia a ver duas equipas a tropeçar uma na outra — e isso aparece nas fotografias e aparece no filme.
Uma boa parte dos meus casamentos chega-me através de fotógrafos que me subcontratam, portanto isto não é teoria. É o que faço na maior parte dos fins de semana. Escrevo isto para casais, mas se for fotógrafo e estiver a ler, é exactamente o mesmo texto.
A conversa que acontece antes
Quando me dizem quem é o fotógrafo, eu ligo-lhe. Não mando mensagem, ligo — porque o que interessa saber não cabe em texto.
Quero perceber como ele gosta de trabalhar. Há fotógrafos que dirigem muito e há fotógrafos que quase não falam, e as duas maneiras funcionam desde que eu saiba qual é. Se ele dirige, eu fico atrás e aproveito o que acontece entre as indicações dele. Se ele não dirige, tenho de ter mais cuidado para não ser eu a única pessoa a pedir alguma coisa ao casal, porque aí passo a ser o intruso.
E quero saber de que lado ele vai estar nos dois ou três momentos em que só há um sítio bom: a entrada, os votos, o primeiro beijo, o corte do bolo. Se nos pusermos os dois no mesmo eixo, um de nós vai aparecer nas imagens do outro o dia inteiro.
Os três pontos de atrito
A entrada. É o momento com menos margem do dia inteiro e o mais difícil de repetir — não se repete de todo. Combina-se antes quem fica no corredor e quem fica no altar, e cumpre-se. Se for numa igreja, isto tem de ser combinado também com o celebrante e as posições passam a ser fixas, o que na prática simplifica: explico as regras da igreja aqui.
A hora do retrato. Esta hora não é minha. É do fotógrafo, e eu ando atrás. Digo isto sem drama nenhum porque é o que faz sentido: as fotografias de retrato são o produto principal dessa hora, e se eu andar a pedir coisas ao mesmo tempo que ele, ninguém fica bem servido.
O que eu filmo aí é quase tudo aquilo que acontece entre as poses — o caminho até ao sítio escolhido, o riso a seguir a uma indicação que não correu bem, o vento a apanhar o véu enquanto ele muda de lente. É o material menos encenado do dia inteiro, precisamente porque a atenção está toda noutro sítio. É de onde saem os planos de que os casais mais gostam, e a maior parte deles não foi pedida por ninguém. Se o fotógrafo quiser dois minutos sozinho convosco, dou-lhe os dois minutos e afasto-me. Não perco nada com isso.
A luz. É o atrito técnico clássico e resolve-se com uma frase. Uma luz de vídeo fica acesa; um flash dispara uma vez. Se eu acender uma luz contínua enquanto ele está a fotografar, mudo-lhe a fotografia toda sem lhe perguntar. Por isso combinamos antes em que momentos é que eu posso ligar e em que momentos não. Na prática, à noite ando com uma luz pequena e uso-a só quando não há mesmo alternativa — não é por delicadeza, é porque uma luz grande na pista de dança estraga o que eu próprio estou a tentar filmar.
O que muda para vocês
Quase nada, e é esse o objectivo. Vocês não deviam ter de gerir nada disto.
A única coisa que vos peço é que nos digam o nome um do outro cedo. Não na véspera. Se souberem quem é o fotógrafo quando me contratam, digam-mo nessa altura, e digam-lhe a ele que já têm vídeo. A conversa faz-se sozinha a partir daí.
A segunda coisa é que, se houver alguma coisa que vos importa mesmo — um retrato com uma pessoa específica, um momento planeado com a família — digam aos dois, não a um. É espantoso a frequência com que essa informação chega só a metade da equipa.
Uma hipótese que poucos casais consideram
Muitos fotógrafos vendem o pacote completo, fotografia e vídeo, e subcontratam alguém como eu para a parte do filme. Vocês tratam com uma pessoa só, há um contrato só, e o valor sai muitas vezes mais em conta do que contratar os dois em separado — explico porquê no artigo sobre preços.
Tem uma consequência que é justo saberem: nesse caso, quem decide o que pode ser publicado não são só vocês e eu, é também o acordo que assinaram com ele. Já tive filmes de que gostei muito e que não pude mostrar por causa disso. Faz parte de trabalhar bem com os colegas e não discuto. Aqui explico como funcionam as autorizações nos dois cenários.
Se ainda não escolheram fotógrafo
Posso sugerir nomes de pessoas com quem já trabalhei e de quem gosto. Não ganho nada com isso e digo-vos sempre que não ganho nada com isso.
E se for fotógrafo e estiver à procura de alguém que não lhe apareça nas fotografias, a conversa é na página para fotógrafos e estúdios.

