Quem decide o que é publicado do vídeo do vosso casamento são vocês. Eu vou pedir-vos autorização, por escrito, e digo para quê. Se disserem que não, é não — não muda o preço, não muda a maneira como filmo, e não volto ao assunto seis meses depois a tentar convencer-vos. E há um terceiro interveniente que quase ninguém explica: quando o casamento me chega através de um fotógrafo, o acordo dele convosco também tem de autorizar.
É a pergunta que mais me interessa responder e por isso respondo-a por extenso. Vale a pena lerem isto mesmo que acabem por contratar outra pessoa, porque a cláusula de imagem é a que menos gente lê e a que mais problemas cria.
Começo pela parte que me diz respeito
Preciso de mostrar o que faço. É assim que os casais me encontram, e um videógrafo sem trabalho visível não tem como provar nada a ninguém. Não vou fingir que a publicação é indiferente para mim, porque não é.
Por isso peço, e digo exactamente para quê: site, canal de YouTube, Instagram. Não peço uma autorização vaga que me sirva para tudo — peço para os sítios concretos onde tenciono pôr o filme.
Digo isto com clareza porque a alternativa seria escrever que não publico nada, o que soa muito bem e não seria verdade. Prefiro dizer-vos que tenho interesse nisto e depois dar-vos o poder de decidir.
A parte que vos diz respeito, e que é a que manda
Nada é publicado sem a vossa autorização escrita. Não há letra pequena a dizer que se não responderem em trinta dias eu posso avançar, e não há cláusula a dar-me direitos “para fins promocionais” que vocês assinaram sem reparar.
E não é tudo ou nada, que é a parte que as pessoas não sabem que podem pedir. Combina-se o que pode ir e o que não pode.
Há quem autorize tudo. Há quem autorize só planos onde não apareçam convidados. Há quem não queira que se ouçam os discursos — e este pedido é mais comum do que se imagina, porque um brinde é uma coisa dita àquelas pessoas e não à Internet. Há quem prefira que não apareça o nome nem a data. Há quem autorize o teaser e não o filme final. Há quem autorize o filme no meu canal de YouTube mas não no Instagram, porque no YouTube quem chega lá foi à procura.
Tudo isso fica por escrito, e é o que se cumpre. Se mudarem de ideias mais tarde, também. Se me pedirem daqui a dois anos para tirar um filme do canal, tiro e não faço perguntas.
O terceiro interveniente
Uma boa parte dos meus casamentos chega-me através de fotógrafos e de estúdios que vendem o pacote completo e me subcontratam a parte do vídeo.
Nesses casos existe um segundo acordo — o deles, convosco — e esse também tem de autorizar. Na prática significa que, mesmo que vocês me digam que sim, se o contrato que assinaram com o fotógrafo não previr que eu publique, eu não publico.
Às vezes tenho um filme de que gosto muito e que não posso mostrar por causa disto. Faz parte de trabalhar bem com os colegas e não discuto. É também a razão por que o que está no meu site e no meu canal não é tudo o que já filmei, e nunca será.
Se estiverem nesta situação e quiserem que o filme apareça, o caminho é falarem primeiro com o fotógrafo. Aqui explico como funciona esta relação a três, que também tem vantagens do vosso lado.
O que é vosso e o que é meu, em termos práticos
Vocês recebem os filmes e usam-nos como quiserem: mostram, partilham, guardam, mandam à família inteira. Não há limite ao uso pessoal e nunca haverá.
O que se mantém do meu lado é a autoria do filme — no sentido em que é o meu trabalho, com o meu nome, e que não pode ser revendido nem usado comercialmente por terceiros sem falar comigo. Na prática isto nunca cria problema nenhum a um casal. Cria, muito raramente, quando uma marca ou uma quinta quer usar um excerto para publicidade, e nesse caso a conversa é a três.
Sobre os ficheiros originais: ficam guardados 12 meses em dois destinos diferentes a contar da entrega do filme final. Nesse período, se perderem o vosso ficheiro, basta pedirem. Passado esse tempo mantenho os filmes montados por tempo indeterminado, mas não garanto os brutos — e aviso antes de apagar seja o que for.
E os convidados?
Esta é a pergunta que ninguém faz e que devia fazer-se mais.
Os vossos convidados não assinaram nada. Estão num casamento e vão aparecer no filme, e isso é normal e esperado. Mas quando o filme sai do círculo privado e vai para a Internet, a conversa muda.
Por isso, quando um casal me autoriza a publicar, pergunto sempre se há alguém que não deva aparecer. Costuma haver — uma criança, alguém em processo de divórcio, alguém que simplesmente não quer. É mais fácil resolver isso na montagem do que depois de estar publicado, e não custa nada perguntar.
Se estiverem a comparar contratos
Peçam a toda a gente para vos mostrar a cláusula de imagem antes de assinarem, e leiam-na inteira. Reparem em três coisas: se a autorização é presumida ou pedida, se dá para autorizar só uma parte, e se dá para revogar mais tarde.
É uma das perguntas da lista que deixei em como escolher um videógrafo de casamento. O resto das condições — prazos, pagamento, deslocação — está nas perguntas frequentes, e o que autorizaram até hoje é o que podem ver no portefólio.

