Em Portugal, um vídeo de casamento custa quase sempre entre 900 € e 3.500 €. A maior parte dos casais fecha algures entre 1.400 € e 2.200 €. Abaixo de 900 € está quase sempre alguém a começar, ou alguém que ainda não percebeu quanto trabalho é isto. Acima de 3.500 € está normalmente uma equipa com dois ou três operadores e uma estrutura por trás.
Esta é a pergunta mais pesquisada e a que menos gente responde. Toda a gente escreve “cada casamento é único, peça orçamento”. Eu prefiro dizer-vos números, mesmo que sejam desconfortáveis, porque uma pessoa que está a fazer contas para um dia inteiro merece saber em que campeonato está a entrar antes de perder três semanas a pedir orçamentos.
Os intervalos reais do mercado
Isto é o que se pratica em Portugal, pelo que vejo em colegas e pelo que me chega de casais que já falaram com outros antes de falarem comigo.
| Intervalo | O que costuma ser |
|---|---|
| 600 € – 900 € | Alguém no início, ou um vídeo de meio dia sem cerimónia completa. Pode correr bem. Pode correr mal e não há rede. |
| 900 € – 1.400 € | Um operador, dia inteiro, um filme entregue. Fora de época e longe das grandes cidades é onde está muita gente competente. |
| 1.400 € – 2.200 € | A faixa mais habitual. Dia inteiro, som tratado a sério, mais do que uma peça entregue, prazos escritos. |
| 2.200 € – 3.500 € | Dois operadores, ou um nome com procura, ou extras pesados como filme documental e drone incluídos. |
| Acima de 3.500 € | Estúdio com equipa, produção maior, muitas vezes Lisboa e Porto, e casamentos de escala grande. |
O que faz o preço variar de verdade
Não é a câmara. Isso é o que toda a gente pensa e é quase sempre irrelevante — a diferença entre uma câmara de 2.000 € e uma de 6.000 € não se vê num casamento montado.
O que faz o preço é o tempo. Um casamento filmado do princípio ao fim são doze a catorze horas em pé, mais a viagem, mais a véspera a preparar, mais a segunda-feira inteira parada para montar o teaser. E depois a montagem do filme final, que são dias, não horas. Quando alguém vos cobra 700 € por tudo isto, ou está a começar e está a comprar experiência, ou não vai fazer metade do que disse.
Depois há três coisas que mexem no preço de forma concreta e que vale a pena perguntar: se é um operador ou dois, o que é que está incluído e o que é opção paga, e quantas horas do dia é que a pessoa fica. Um vídeo que acaba no corte do bolo é mais barato do que um que fica até ao fim da festa, e às vezes o casal só descobre isso na véspera.
A deslocação também conta. No meu caso, até 100 km de Barcelos não há custo de deslocação nenhum. Acima disso há, vai discriminado no orçamento, e se for longe ao ponto de não dar para ir e voltar entra a dormida da véspera — que me interessa a mim tanto como a vocês, porque chego de manhã descansado e já com o espaço visto.
Porque é que o preço a um casal e a um fotógrafo não é o mesmo
Uma boa parte do meu trabalho não chega directamente de casais. Chega de fotógrafos e de estúdios que vendem o pacote completo ao casal e me subcontratam a parte do vídeo. E o valor que eu cobro a esse fotógrafo é mais baixo do que o que cobro a um casal que me contrata a mim. Isto às vezes soa mal e não é. Explico porquê.
Quando um casal me contrata, eu vendo. Há mensagens, há uma chamada ou um café, há um contrato meu, há explicar o que é um teaser e o que é um filme documental, há responder a dúvidas durante meses, e há o risco comercial de perder a data enquanto alguém decide. Isso é trabalho e está no preço.
Quando um fotógrafo me contrata, nada disso existe. Ele já vendeu, já explicou, já lidou com o cliente e assume o risco todo. Chega-me uma data, um local e um briefing de dois minutos. Eu apareço, filmo, entrego. É o mesmo dia de trabalho, mas é metade da operação, e vem em volume — um fotógrafo com quem trabalho bem traz-me casamentos todos os anos, não um.
Por isso é que, se pedirem orçamento a um fotógrafo pelo pacote completo, o vídeo lá dentro pode aparecer mais barato do que se me pedirem a mim directamente. Não é enganar ninguém: é que ele comprou capacidade e vocês compram serviço. Digo-vos isto por escrito porque acho que faz parte de perceber o mercado, e porque não gosto de fingir que os preços caem do céu. A minha tabela não vai aqui — cada data e cada local mudam a conta, e prefiro dar-vos um número certo do que um número de montra.
O que não deve pesar na decisão
Não escolham por causa de uma lista de material. Toda a gente escreve as mesmas marcas.
Escolham pelo que vêem montado, do princípio ao fim, e pelo que ouvem. Um filme de casamento de trinta segundos com música por cima esconde tudo. Peçam um filme inteiro, com o som que o dia teve. É aí que se percebe quem sabe.
E olhem para os prazos que a pessoa escreve. Se disser trinta dias para o filme final em plena época alta, ou tem uma equipa de montagem, ou vai falhar. Eu digo 60 a 90 dias e explico por extenso porquê. Digo o número mais alto de propósito.
Se estão nesta fase e ainda não decidiram se querem vídeo, li mil vezes a mesma dúvida e escrevi sobre ela: vídeo de casamento ou só fotografia. E se já decidiram, o que interessa a seguir é o que perguntar a quem estão a avaliar.
Podem ver como trabalho na página de casamentos. Se quiserem um valor para a vossa data, digam-me a data e o local e respondo com números, não com uma brochura.

