O dia do casamento hora a hora, do ponto de vista de quem filma

Doze a catorze horas em quatro blocos com regras diferentes: preparativos, cerimónia, retrato e festa. O que faço em cada um, e o que vos peço — que é pouco.

Um dia de casamento, do ponto de vista de quem o filma, são doze a catorze horas divididas em quatro blocos com regras completamente diferentes: os preparativos, que são silenciosos e onde não se pede nada; a cerimónia, onde não se manda; a hora do retrato, que é do fotógrafo; e a festa, onde se anda leve. Este guia percorre o dia inteiro, hora a hora, com o que faço em cada parte e o que costuma correr mal.

Escrevo-o porque muitos casais assinam sem fazer ideia de como é o dia com uma câmara por perto, e depois têm surpresas — quase sempre pequenas, e quase todas evitáveis com uma conversa.

Manhã: os preparativos

Chego cedo, normalmente antes de estarem à minha espera, e a primeira meia hora não é a filmar. É a ver de onde vem a luz, a perceber que divisões dão para trabalhar, e a tirar do plano as duas ou três coisas que estragam uma imagem sem ninguém reparar.

Depois filmo quase tudo com lente longa, do outro lado da sala, e não peço nada. É a hora mais desprotegida do dia — as pessoas ainda não estão em modo de casamento — e é de lá que saem os planos que vos fazem chorar a ver o filme. O momento em que a vossa mãe vos vê vestidos acontece uma vez só: se eu vos pedisse para o repetir, o que ficava gravado era a segunda vez. Escrevi sobre esta hora em detalhe aqui.

O que costuma correr mal: as horas. Toda a gente atrasa e não faz mal, mas se me disserem que saem às onze e o plano real é meio-dia, eu chego às oito e passo três horas à espera. Prefiro a hora verdadeira.

A saída e a chegada

É o bloco mais logístico do dia. Se a cerimónia for numa igreja e a festa numa quinta, alguém tem de decidir se eu vou à frente ou atrás — não posso fazer as duas coisas.

Normalmente saio antes para vos apanhar a chegar, que é o plano que interessa. Quando as distâncias são grandes, ou quando há coisas a acontecer em paralelo em duas casas, é uma das situações em que faz sentido levar um segundo operador. Falamos disso quando me disserem como vai ser o vosso dia.

A cerimónia

Aqui não mando eu. Falo com o padre ou com o celebrante antes de começar, pergunto onde posso estar e onde não posso, e cumpro. Nunca discuti com um celebrante por causa de conseguir melhores ângulos.

As câmaras ficam em posição fixa nos sítios combinados e o som fica a gravar do princípio ao fim, sem depender de eu estar por perto. Isto quer dizer que há ângulos que não vou ter, e aceito isso de bom grado — um plano bonito que se ganha à custa de o padre me olhar de lado a meio dos votos não vale o que custa. As regras completas estão em filmar dentro da igreja.

O que costuma correr mal: o atraso. A cerimónia atrasa quase sempre, e quem paga a factura é a hora do retrato, que é a única parte do dia com margem para encolher.

A hora do retrato

Esta hora não é minha. É do fotógrafo, e eu ando atrás.

O que filmo aqui é quase tudo aquilo que acontece entre as poses: o caminho até ao sítio escolhido, o riso a seguir a uma indicação que não correu bem, o vento a apanhar o véu enquanto ele muda de lente, os dois a falarem baixo enquanto esperam. É o material menos encenado do dia inteiro, precisamente porque a atenção está toda noutro sítio, e é de onde saem os planos de que os casais mais gostam.

De vez em quando peço alguma coisa — que caminhem outra vez até ali, que fiquem parados mais um bocado. São indicações simples e são poucas, e nunca vos peço para representar uma emoção que não estão a ter. Se o fotógrafo quiser dois minutos sozinho convosco, dou-lhe os dois minutos e afasto-me. Aqui explico como se combina isto antes do dia.

O fim da tarde

É a melhor luz que o dia tem e dura muito pouco. Se houver drone, é aqui que costuma fazer sentido — para mostrar o sítio, com o vale à volta — mas nunca durante a cerimónia e nunca por cima das pessoas. Explico as regras aqui.

É também a altura em que dou uma volta pelo salão antes de estar cheio: mesas postas, arranjos, o bolo. Cinco minutos que depois valem uma sequência inteira no filme.

O jantar e os discursos

Do ponto de vista do som, é o momento mais importante do dia inteiro, e o mais difícil. Um discurso acontece sem aviso, num salão cheio, com pratos e com eco.

Por isso os microfones estão postos muito antes de serem precisos, em mais do que um sítio, com gravadores independentes a correr. Prefiro ter três gravações do mesmo momento a ficar sem nenhuma. É a parte do dia que não se recupera de maneira nenhuma se falhar, e escrevi sobre isso por extenso.

A festa

À noite ando leve, e isso é uma escolha e não uma limitação. Uma câmara na mão, uma luz pequena só quando não há mesmo alternativa, e o som da sala a gravar.

A festa filma-se de dentro. Quem está a dançar não deve dar por mim, e a única maneira de isso acontecer é não levar meio estúdio para a pista. Se a certa altura tiverem a impressão de que já me fui embora, provavelmente estou a três metros de vocês.

E depois do dia

Bloqueio a segunda-feira seguinte só para o teaser, que chega em 72 horas. O filme final leva 60 a 90 dias, e digo o número mais alto de propósito.

Se quiserem perceber o resto antes de falarmos: quanto custa, quanto tempo demora, e a página de casamentos, que conta isto tudo com mais calma. Para a vossa data concreta, escrevam-me pela página de contacto.