Drone em casamentos: quando faz sentido e quando não

Serve para mostrar o sítio, uma chegada e o fogo de artifício. Não voa na cerimónia nem sobre os convidados — e há regras da ANAC que decidem isso, não o gosto.

O drone faz sentido num casamento em três situações: para mostrar o sítio, para uma chegada ou uma saída, e para o fogo de artifício ao fim da noite. Fora disso, faz barulho e não acrescenta nada. Não voa dentro da cerimónia, não voa em cima dos convidados, não voa à chuva nem com vento forte, e não voa onde a lei ou a quinta não deixam. São mais os momentos em que não deve voar do que aqueles em que deve.

Uso um DJI Mini 4 Pro, que é um drone pequeno de propósito. Pesa pouco, cabe na mala com o resto, faz menos barulho do que os grandes e levanta em sítios onde um aparelho maior não levanta. Perde qualidade nalguma coisa? Perde. Mas num casamento a diferença entre um plano aéreo bom e um plano aéreo excelente é muito menor do que a diferença entre um drone discreto e um drone que se ouve durante os votos.

Quando faz sentido

Para mostrar onde é. É a razão número um e é uma razão boa. Uma quinta minhota vista de cima, com o vale à volta, o casario, os campos — isso conta em cinco segundos uma coisa que do chão não se consegue contar de todo. E é útil no filme: dá contexto, marca a passagem de um sítio para outro, e deixa respirar entre duas partes do dia.

Numa chegada ou numa saída. O carro a subir o caminho até à quinta. O grupo a sair da igreja para o adro. São momentos com movimento, ao ar livre, em que já toda a gente está a fazer barulho e um drone a trinta metros não incomoda ninguém.

No fogo de artifício. Se houver, é dos planos mais bonitos que existem — o fogo visto de lado e de cima, com a quinta iluminada por baixo. É também o momento do dia em que o barulho do drone é literalmente inaudível.

Há um quarto caso que não é para o vosso filme: quando a quinta quer imagens do espaço. Gosto de deixar isso feito, porque me custa pouco e é útil a quem me recebeu bem.

O vídeo só carrega quando carregar em play. Até lá, nada é pedido ao YouTube.

Um exemplo do que o drone faz bem: mostrar o sítio em quatro segundos, uma coisa que do chão não se explica.

Quando não deve voar

Durante a cerimónia. Nunca. Um drone tem um zumbido agudo que atravessa tudo e que fica gravado em todos os microfones ao mesmo tempo. Um plano aéreo bonito não vale estragar o som dos votos — e, como o som é a parte que não se recupera, essa troca nunca compensa. Numa cerimónia religiosa nem se põe a questão: dentro da igreja não voa nada, e do lado de fora só depois de acabar.

Por cima das pessoas. A regra é de segurança e é simples: não se voa sobre aglomerados. Um plano bonito com sessenta convidados por baixo não é um plano bonito, é um risco desnecessário sobre pessoas que não deram autorização nenhuma para isso.

Com chuva ou vento forte. Com chuva a sério não voa, ponto final. Não é uma questão de coragem, é que não deve. A chuva dá dos melhores casamentos que já filmei e o filme desses dias vive muito bem sem imagens aéreas.

Ao fim da tarde de Verão, com luz rasante. Este é técnico e é o que menos gente sabe. À hora mais bonita para filmar no chão, o drone é o pior sítio para se estar: o sol baixo entra directamente na lente, não há para onde fugir, e a sombra do próprio aparelho aparece no plano. Prefiro estar no chão a essa hora, sempre.

Onde não se pode voar de todo

Isto não é preferência minha, é lei. Em Portugal há zonas onde voar exige autorização e zonas onde simplesmente não se voa: perto de aeroportos e aeródromos, sobre certas infra-estruturas, e em áreas com restrições próprias. Muitas quintas do Minho estão perto de aldeias, de igrejas e de espaços protegidos, e algumas têm regras próprias — normalmente por causa do barulho durante a cerimónia, o que me parece perfeitamente razoável.

Verifico isto antes do dia, não no dia. Se a vossa quinta estiver numa zona onde não se pode, digo-vos com antecedência em vez de aparecer com um drone que vai ficar na mala. É uma das coisas que vale a pena perguntar quando visitarem o espaço, e está na lista que deixei em quintas para casamentos no Minho.

Quanto tempo é que isto ocupa

Muito menos do que parece, e é de propósito.

Num casamento normal, o drone anda no ar entre cinco e dez minutos ao todo, repartidos por dois ou três momentos. O resto do tempo está desligado dentro da mala. Voar exige atenção inteira, e cada minuto que passo a olhar para um comando é um minuto em que não estou a ver o que se passa à minha volta. Num dia em que os melhores planos são quase sempre os que não estavam previstos, isso custa caro.

Por isso trato o drone como trato a luz de vídeo: uma ferramenta que se usa pouco e nos momentos certos, e não uma coisa para justificar no orçamento.

Se o drone é importante para vocês

Digam-mo quando reservarem, com a quinta escolhida. Verifico as restrições, penso nos dois ou três momentos em que faz sentido e planeio o dia à volta disso.

E se alguém vos prometer imagens aéreas durante a cerimónia, perguntem como é que tenciona gravar o som ao mesmo tempo. É uma boa pergunta para fazer a quem quer que estejam a avaliar — a lista completa está em como escolher um videógrafo de casamento, e o resto das dúvidas práticas nas perguntas frequentes.