Escolhe-se um videógrafo de casamento vendo um filme inteiro dele, com som, do princípio ao fim — e não um resumo de trinta segundos no Instagram. Depois faz-se meia dúzia de perguntas concretas: quantas horas fica, o que está incluído e o que é opção paga, em quanto tempo entrega, e o que acontece se ele adoecer. Quem responder a isso sem hesitar já eliminou noventa por cento do risco.
Vou fazer aqui uma coisa que talvez não me convenha: vou dizer-vos o que perguntar a toda a gente, incluindo aos meus concorrentes. Prefiro perder um casal que fez as perguntas certas do que ganhar um que não fez nenhuma.
Primeiro: vejam um filme inteiro
Um teaser de um minuto com música por cima não prova nada. É a parte fácil. Qualquer pessoa com trinta bons segundos de material consegue fazer um minuto que emociona.
Peçam um filme final completo, de quinze ou vinte minutos, de um casamento parecido com o vosso. Vejam-no todo, com auscultadores. Reparem em três coisas: se a cerimónia se percebe, se as vozes estão limpas, e se a meio do filme vos apeteceu desistir. Se apeteceu, vai apetecer aos vossos convidados.
Se a pessoa não tiver nenhum filme inteiro para mostrar, isso pode ter uma explicação legítima — muitos casais não autorizam publicação, e uma parte do trabalho fica mesmo por mostrar. Mas então que vos mostre um em privado. Se não houver nenhum em lado nenhum, é sinal.
As perguntas que valem a pena
Estas são as que separam quem tem um método de quem tem uma câmara.
Quantas horas fica? Alguns pacotes acabam no corte do bolo. Outros ficam até ao fim. Perguntem qual é o fim, em horas, e ponham isso no contrato. É a fonte de mal-entendidos número um.
O que está incluído e o que é pago à parte? No meu caso, o teaser e o filme final estão no pacote; os highlights e o filme documental são opções pagas, e digo-o na altura do orçamento e não no fim. Toda a gente tem opções pagas. O problema não é tê-las, é descobri-las tarde.
Em quantos dias entrega, por escrito? Desconfiem de prazos curtos em época alta. Se alguém prometer o filme final em trinta dias para um casamento de julho, ou tem uma equipa de montagem por trás ou vai falhar. Eu digo 60 a 90 dias e explico o motivo por extenso.
Como grava o som? Esta é a pergunta que quase ninguém faz e que mais revela. Querem ouvir falar de microfones postos antes de serem precisos, de mais do que um sítio a gravar ao mesmo tempo, de gravadores independentes que continuam a trabalhar quando a pessoa está noutra sala. Se a resposta for só “gravo com a câmara”, já sabem o que vão ter na cerimónia.
Filma mais do que um casamento no mesmo dia? Há quem faça. Eu nunca fiz e nunca farei — um casamento por dia, sempre. Se a pessoa fizer dois, perguntem a que horas sai do vosso.
Leva segunda câmara? Não é vaidade, é rede. Eu levo sempre dois corpos comigo mesmo quando estou sozinho, e um deles nunca é usado se o outro não falhar. Está lá exactamente para isso.
E se adoecer? A resposta certa não é “nunca aconteceu”. É saber a quem é que ele liga, e se essa pessoa trabalha de maneira parecida.
Quem decide o que é publicado? Peçam para ver a cláusula. No meu contrato, nada vai para lado nenhum sem autorização escrita vossa, e a autorização é negociável ao detalhe — há quem autorize tudo, há quem autorize só planos sem convidados, há quem não queira que se ouçam os discursos. Escrevi sobre isto em detalhe, incluindo a parte que quase ninguém explica: quando o casamento chega através de um fotógrafo, o acordo dele também tem de autorizar.
Quanto tempo guarda os ficheiros? Os meus ficam 12 meses em dois destinos diferentes a contar da entrega. Passado esse tempo mantenho os filmes montados, mas não garanto os brutos, e aviso antes de apagar seja o que for.
O que não vale nada como critério
A lista de material. Toda a gente escreve as mesmas marcas e nenhum casal consegue avaliar isso. Uso Panasonic e Fujifilm, lentes de quatro fabricantes, som Rode e Tascam, um drone pequeno. Nada disto vos diz se o filme vai ser bom.
O número de seguidores. Não tem relação nenhuma com o que a pessoa entrega em Novembro.
E, sinceramente, a simpatia da primeira mensagem. Toda a gente é simpática antes de assinar. O que interessa é o que está escrito no contrato quando as coisas correm mal.
A parte que ninguém mede e que se nota no filme
Perguntem como é que a pessoa se comporta durante o dia. Se pede às pessoas para repetirem coisas, se monta luzes no meio da sala, se interrompe abraços para os filmar de outro ângulo.
Não há resposta certa universal aqui — há quem goste de ser dirigido e fique melhor assim. Mas há resposta certa para vocês, e vale a pena saberem antes. Eu trabalho da maneira oposta: adapto-me ao dia, o dia não se adapta a mim. Se perdi um plano, perdi o plano, e compenso com atenção e não com repetições. Isso significa que há ângulos que não vou ter, e assumo isso.
Por fim, perguntem se ele fala com o vosso fotógrafo antes do dia. Se a resposta for que não vê necessidade, preparem-se para gerir duas equipas sozinhos. Aqui explico o que se combina nessa conversa, e vale a pena mesmo que não seja comigo.
O resto das dúvidas concretas — deslocação, pagamento, timidez à frente da câmara — está respondido nas perguntas frequentes.

