Filmo casamentos no Minho e em quase todo o país.
Faço-o de uma maneira específica: tento que se esqueçam de mim. Não é modéstia nem é uma frase de site — é uma decisão de trabalho que muda tudo o resto.
É uma decisão que muda o equipamento que levo, o sítio onde me ponho, o que vos peço e o que nunca vos peço. Esta página explica isso por extenso, porque acho que merecem saber como vai ser o dia antes de assinarem seja o que for.

Porquê discrição
Já filmei casamentos das duas maneiras. Tecnicamente sai bem. E depois vê-se o filme e há qualquer coisa que não bate certo: as pessoas estão a fazer de si próprias.
Já fui o vídeo que pede às pessoas para voltarem atrás, que monta uma luz no meio da sala, que interrompe o abraço para o repetir num ângulo melhor.
O momento em que a vossa mãe vos vê vestidos pela primeira vez acontece uma vez só. Se eu vos pedir para o repetir, o que fica gravado é a segunda vez — e a segunda vez já toda a gente sabe que está a ser filmada. Toda a gente endireita as costas. Ninguém chora igual.
Por isso a regra é simples e não tem exceções: eu adapto-me ao dia, o dia não se adapta a mim. Se perdi um plano, perdi o plano. Compenso com atenção, não com repetições.
O dia, hora a hora
Preparativos
Chego cedo, normalmente antes de estarem à espera, e a primeira coisa que faço não é apontar a câmara a ninguém — é dar uma volta pela casa a ver de onde vem a luz e onde é que me consigo pôr sem estar no meio.
A hora dos preparativos é a mais silenciosa do dia e a mais desprotegida. As pessoas ainda não estão em modo de casamento. É aí que estão os planos que depois vos fazem chorar a ver o filme: o vestido pendurado numa porta, alguém a passar uma manga a ferro, o vosso pai sentado à espera sem saber o que fazer com as mãos, a discussão pequena sobre o nó da gravata.
Filmo esta parte quase toda com lente longa, do outro lado da sala. Não vos peço nada. Se precisarem de mim para alguma coisa, chamem — de resto, façam como se eu não estivesse. Muitos casais dizem-me depois que só perceberam que eu tinha estado lá quando viram o filme.


Cerimónia
A cerimónia é a parte do dia em que a discrição deixa de ser uma preferência estética e passa a ser respeito básico. Igreja ou civil, o princípio é o mesmo: ninguém deve ter de desviar o olhar de vocês por causa de um operador de câmara.
Antes de começar, falo com o padre ou com o celebrante. Pergunto onde posso estar e onde não posso, e cumpro. Nunca discuti com um celebrante em minha vida por causa de conseguir melhores ângulos. Ponho as câmaras em posição fixa nos sítios que ficaram combinados e o som fica a gravar do início ao fim, sem depender de eu estar por perto.
Isto quer dizer que há ângulos que não vou ter. Aceito isso de bom grado. Um plano bonito que se ganha à custa de o padre me olhar de lado a meio dos votos não vale o que custa.


Retrato
Esta hora não é minha. É do fotógrafo, e eu ando atrás.
O que filmo aqui é quase tudo aquilo que acontece entre as poses: o caminho até ao sítio escolhido, o riso a seguir a uma indicação que não correu bem, o vento a apanhar o véu enquanto ele muda de lente, os dois a falarem baixo enquanto esperam. É o material menos encenado do dia inteiro, precisamente porque a atenção está toda noutro sítio. É de onde saem os planos de que os casais mais gostam, e a maior parte deles não foi pedida por ninguém.
De vez em quando peço alguma coisa — que caminhem outra vez até ali, que fiquem parados mais um bocado. São indicações simples, são poucas, e nunca vos peço para representar uma emoção que não estão a ter.
Se o fotógrafo quiser dois minutos sozinho convosco, dou-lhe os dois minutos e afasto-me. Não perco nada com isso.


Festa
À noite ando leve, e isso é uma escolha, não uma limitação. Uma câmara na mão, uma luz pequena só quando não há mesmo alternativa, e o som da sala a gravar.
A festa filma-se de dentro. Quem está a dançar não deve dar por mim, e a única maneira de isso acontecer é não levar meio estúdio para a pista. Fico atento aos discursos — que são quase sempre onde está o melhor som do dia — e depois deixo a noite correr. Se a certa altura tiverem a impressão de que já me fui embora, provavelmente estou a três metros de vocês.


O som
Esta é a parte que quase ninguém pergunta e que faz metade da diferença.
Um casamento tem um som próprio e ele desaparece por completo se não for gravado no momento. Não há forma de recuperar depois a voz do celebrante, o que o vosso irmão disse a meio do brinde antes de lhe falhar a voz, o que a vossa avó cantou quando a banda pegou naquela música.
Por isso o som anda sempre à frente do resto: microfones postos muito antes de serem precisos, mais do que um sítio a gravar ao mesmo tempo, e gravadores independentes que continuam a trabalhar mesmo quando eu estou noutra sala. Prefiro ter três gravações do mesmo momento a ficar sem nenhuma.
O filme curto leva música por cima, porque é isso que um filme curto pede. Mas o som original fica todo guardado — e é dele que nasce o filme documental.

O que recebem
O teaser, em 72 horas
Setenta e duas horas depois do casamento têm o teaser convosco. Um minuto, montado com o melhor do que aconteceu.
O prazo é firme e é firme de propósito. Um teaser que chega em março não serve para nada: a essa altura já toda a gente falou do vosso casamento e já toda a gente passou à frente. Aos três dias ainda estão a responder a mensagens, ainda há gente a perguntar como correu, e ainda vos treme alguma coisa por dentro quando falam nisso. É esse o momento em que um vídeo vale mais.
Bloqueio a segunda-feira a seguir a cada casamento só para isto. É por isso que o consigo cumprir.
Os highlights
Os highlights são uns quatro minutos que já dão espaço à história do dia — mais do que o teaser permite, sem ainda ser o filme completo. Chegam dentro do mesmo processo de montagem, sem esperar pelos noventa dias do filme final.
São uma opção paga, à parte do pacote. Nem todos os casais os querem, e quem fica só com o teaser e o filme final fica bem servido. Digo-vos isto na altura do orçamento e não no fim.
O filme final, em 60 a 90 dias
Entre dois e três meses. Digo o número mais alto de propósito, e explico porquê. A duração do filme fica entre os quinze e os trinta minutos, consoante a escala do casamento — se é um evento muito grande ou uma coisa mais simples.
Entre junho e setembro tenho casamentos quase todos os fins de semana, e cada vez mais durante a semana. Uma montagem a sério — ver tudo o que foi filmado, tratar o som, corrigir a cor, voltar atrás duas ou três vezes — não se faz nos dias entre dois sábados. Fora de época, chega bastante mais cedo.
Prefiro dizer-vos noventa dias e entregar aos setenta do que prometer trinta e andar a inventar desculpas em novembro. É uma escolha que às vezes me custa uma reserva, e continuo a fazê-la.
Se houver uma data que vos importa mesmo — um aniversário, uma viagem, alguém da família que quer muito ver e não pode esperar — digam-me quando reservarem. Digo-vos logo se consigo ou não.
O filme documental
Este é o extra que mais me custa explicar num site e mais fácil é de perceber quando se vê.
O filme curto é uma versão do dia. É escolhida, montada e musicada: eu decido o que fica, decido a ordem, e ponho música por cima. É bonito e é o que a maioria das pessoas quer mostrar aos amigos.
O filme documental tem pouca edição, de propósito: são excertos mais largos da cerimónia e da festa na quinta, com o som que o dia teve de verdade, sem cortar para caber num tempo.
A música que tocou na igreja é a que se ouve, não a que eu escolhi. O celebrante fala e ouve-se o que disse, com as pausas e com a acústica da nave. A festa na quinta soa como soou — a banda ou o DJ a afinar o som, o barulho dos copos, o momento em que toda a gente canta e ninguém acerta na letra.
É um filme longo. Não é para ver na semana a seguir e não é para publicar. É para daqui a dez ou quinze anos, quando já não se lembrarem do timbre da voz de alguém que já cá não está. Nessa altura, o filme curto continua bonito — e este vale outra coisa.
É opcional e é pago à parte. Se me disserem que querem antes do dia, gravo com isso em mente, o que quer dizer mais microfones e mais cuidado com a continuidade do som. Também se pode pedir depois, desde que não passe muito tempo.

Trabalho com o vosso fotógrafo
Se já escolheram fotógrafo, digam-me quem é.
Ligo-lhe antes do dia, percebo como ele gosta de trabalhar, e combinamos as duas ou três coisas que costumam dar atrito: quem fica de que lado na entrada, quem manda na hora do retrato, e quando é que eu ligo uma luz. São cinco minutos de conversa que vos poupam um dia inteiro de duas equipas a tropeçarem uma na outra.
Se ainda não escolheram, posso sugerir nomes com quem já trabalhei. Não ganho nada com isso e digo-vos sempre que não ganho nada com isso.
Como se reserva
Escrevem-me com a data e o local. Respondo a dizer se estou livre e com os valores.
Se avançarmos, marcamos uma conversa — presencial se forem de perto, por chamada se não — para perceber que tipo de casamento vão ter e o que vos interessa mesmo.
A data fica reservada com a assinatura do contrato e um sinal. Só filmo um casamento por dia, sempre.
