Uma cerimónia civil ao ar livre é a coisa mais bonita de filmar num casamento e a mais difícil de gravar bem. A luz é excelente e o som é um problema — e é quase sempre o som que estraga o filme.
Se vão casar no jardim de uma quinta, isto interessa-vos mesmo que não contratem ninguém para filmar.
A luz é a parte fácil
Uma cerimónia ao fim da tarde, com o sol baixo, é a melhor luz que um casamento oferece. Suave, dourada, sem sombras duras nas caras.
Há uma coisa a evitar e resolve-se ao marcar: não coloquem a cerimónia virada directamente para o sol poente. Fica bonito para quem assiste e impossível para quem filma e fotografa — os vossos rostos ficam em contraluz durante a cerimónia inteira.
O ideal é o sol de lado. Qualquer quinta com experiência sabe isto; vale a pena perguntar quando forem ver o espaço.
O som é a parte difícil
Um jardim não tem paredes, e isso parece bom até se ligar um microfone.
O vento
É o pior inimigo. Uma brisa que vocês nem sentem entra num microfone como um rugido que tapa tudo. Resolve-se com protecções de espuma e pelo nos microfones, e com lapelas colocadas por baixo do tecido em vez de expostas.
A água
Muitas quintas do Minho têm ribeiros, repuxos ou lagos, e é isso que as torna bonitas. Um ribeiro a correr a vinte metros é um ruído constante e de banda larga — a pior espécie, porque ocupa exactamente a mesma zona que a voz humana.
Já filmei numa quinta em Balugães onde se ouvem as rãs e as quedas de água durante a cerimónia. É lindo no filme e é uma dor de cabeça na gravação: com um microfone na câmara, os votos ficam por baixo do ribeiro.
Os convidados
Ao ar livre as pessoas falam mais. Numa igreja há um silêncio automático que ninguém combina; num jardim, não.
O que muda na maneira de gravar
Ao ar livre não há hipótese de gravar com o microfone da câmara. Tem de haver microfones junto às vozes:
- Lapela no noivo — fica a trinta centímetros da boca dos dois durante os votos
- Gravador junto ao celebrante — apanha tudo o que é dito na cerimónia
- Ambiente à parte — as rãs, o vento, a água, gravados de propósito para depois se decidir quanto se ouve
- Uma segunda gravação a duplicar o que importa
Reparem no terceiro ponto, que é o que quase ninguém faz: o som do sítio grava-se separado das vozes. Assim, na montagem, dá para ter as duas coisas — ouvirem-se a vocês e ouvir-se a quinta — em vez de terem de escolher.
A chuva
Uma cerimónia civil ao ar livre tem sempre plano B, e vale a pena decidi-lo com antecedência em vez de na manhã do dia.
Duas coisas mudam se a cerimónia for para dentro: a luz passa a ser pouca, e o som passa a ter eco. Ambas se resolvem, mas quem filma precisa de saber a decisão o mais cedo possível — não quinze minutos antes.
Combinem uma hora limite para decidir e digam-na a quem estiver a trabalhar convosco.
Uma vantagem que ninguém menciona
Numa cerimónia civil ao ar livre não há regras de paróquia. Ninguém me diz onde me posso pôr, não há um celebrante a limitar posições, e não há corredor estreito.
Consigo estar em sítios que numa igreja seriam impensáveis — e consigo estar longe, que é o que prefiro. Uma cerimónia ao ar livre é a que permite a maior discrição de todas.

