Casar durante a semana é cada vez mais comum em Portugal e tem vantagens reais: as quintas e os fornecedores têm mais disponibilidade, os preços são muitas vezes mais baixos, consegue-se a data que se quer em vez da data que sobrou, e — do meu lado — toda a gente que trabalha convosco chega mais descansada. A desvantagem é uma só e é séria: nem toda a gente pode faltar ao trabalho.
Vejo isto a mudar de ano para ano. Há cinco anos um casamento à quinta-feira era uma excepção; hoje tenho vários por época, e são quase sempre casais que fizeram as contas.
O que muda no preço e na disponibilidade
É a razão pela qual a maioria começa a pensar nisto, e é uma razão boa.
Um sábado de Julho numa quinta procurada fecha com dezoito meses de antecedência e é o dia mais caro do ano. A mesma quinta, na quinta-feira dessa semana, está livre e custa menos. Não é uma quinta pior nem é um casamento pior — é oferta e procura.
O mesmo se aplica a quase todos os fornecedores. Fotógrafos, música, catering, e eu também. Quem tem os sábados de Verão cheios com um ano de antecedência tem os dias úteis livres, e isso muda os valores e muda a disponibilidade de quem vocês querem mesmo.
Há um efeito secundário que vale ouro e que ninguém antecipa: em vez de escolherem entre os fornecedores que ainda estão livres, escolhem entre todos. Já vi casais conseguirem à terça-feira a equipa inteira que não conseguiriam ao sábado por dinheiro nenhum.
O que muda do lado de quem filma
Vou ser directo sobre isto porque é a parte que me toca.
Num sábado de Agosto, eu estou no vosso casamento tendo filmado outro na semana anterior e com outro na seguinte, e com montagens em fila. Filmo um casamento por dia, sempre, portanto nunca vou ter dois no mesmo dia — mas a época alta é uma corrida.
Numa quarta-feira de Junho, o vosso é o casamento da semana. Chego mais cedo sem ter de compensar noutro lado. Se a quinta ficar longe, durmo na véspera com toda a calma. E, sobretudo, a montagem começa logo a seguir em vez de entrar numa fila atrás de três sábados. Um casamento à semana costuma receber o filme final bastante mais cedo do que os 60 a 90 dias que explico aqui por extenso — não o prometo por escrito, mas na prática acontece quase sempre.
O mesmo se passa com o fotógrafo, com o DJ e com quem serve à mesa. Toda a gente que trabalha num casamento à quarta-feira chega lá com mais folga do que num sábado de Agosto, e isso nota-se no dia.
O que muda no próprio dia
Duas coisas concretas, e as duas jogam a vosso favor.
A primeira é que a quinta é vossa. Ao sábado, muitos espaços têm dois casamentos — um ao almoço e outro ao jantar — ou têm o casamento de sábado e outro no domingo a ser montado ao mesmo tempo. Durante a semana, o espaço costuma ser só vosso, e isso significa que ninguém vos empurra para o horário. Já filmei sábados em que a hora do retrato encolheu porque a equipa da quinta precisava do jardim para a montagem seguinte. À quarta-feira isso não acontece.
A segunda é a luz. Se casarem à semana, ganham liberdade para escolher a hora da cerimónia, e essa é a decisão que mais melhora um filme sem custar dinheiro nenhum. Uma cerimónia ao ar livre às três da tarde em Julho apanha a pior luz do dia; a mesma cerimónia às seis é outra coisa. Falo mais disso em quintas para casamentos no Minho.
A desvantagem, sem rodeios
Vai faltar gente. Alguns não conseguem tirar o dia, outros só conseguem chegar ao fim da tarde, e há sempre quem tenha de ir embora antes do fim porque trabalha na manhã seguinte.
Isso tem consequências no dia e no filme. A festa costuma acabar mais cedo — muito mais cedo do que a de sábado. E há convidados de fora que simplesmente não vêm.
Há três coisas que ajudam. Avisar com muita antecedência, mais do que o normal, para as pessoas conseguirem marcar férias. Escolher quinta-feira ou sexta-feira em vez de segunda ou terça, porque quem tira um dia prefere colá-lo ao fim de semana. E, se for possível, evitar Agosto, que é o mês em que meia família já tem outros planos feitos.
Do meu lado, um só aviso prático: se a festa vai acabar mais cedo, digam-mo. Não muda o preço, mas muda a maneira como distribuo o dia — se sei que o bolo é às onze e não à uma, organizo o resto de outra forma.
Se estão a pensar nisto
Façam duas contas antes de decidir. A primeira é a diferença de custo entre o sábado e o dia da semana, somando quinta, fotografia, vídeo e música. Costuma ser um número que surpreende.
A segunda é uma lista honesta de quem é que, se casarem a meio da semana, não vai poder ir. Se essa lista tiver lá alguém de quem não abdicam, a conversa acabou e escolhem sábado. Se não tiver, é provavelmente a melhor decisão que podem tomar para o vosso orçamento.
Se já têm data, mesmo que seja a meio da semana, digam-me qual é. Só filmo um casamento por dia e respondo logo se estou livre — não vos ponho em lista de espera. As condições todas estão nas perguntas frequentes.

