Timelapse e hyperlapse: o que são e quando fazem falta

A diferença entre os dois, quanto tempo demora cada segundo de vídeo, e onde é que a técnica faz mesmo falta — e onde não faz nenhuma.

Timelapse e hyperlapse são duas maneiras de comprimir tempo. Fazem sempre efeito, e é precisamente por isso que se usam mal: um vídeo cheio de nuvens a correr e de trânsito acelerado impressiona nos primeiros dez segundos e cansa nos trinta seguintes.

Vale mais perceber o que cada um faz, e quando é que faz falta.

A diferença entre os dois

Timelapse é a câmara parada. Fica no mesmo sítio durante meia hora ou seis horas, a fotografar de tantos em tantos segundos, e no fim essas fotografias tornam-se um vídeo. O que se vê mexer é o mundo: a sombra a rodar na fachada, as nuvens a atravessar o vale, a sala a encher-se.

Hyperlapse é a mesma técnica com a câmara a deslocar-se entre cada fotografia. O resultado é um travelling impossível — como se atravessássemos um quarteirão inteiro em cinco segundos, com tudo estável.

O vídeo só carrega quando carregar em play. Até lá, nada é pedido ao YouTube.

Este foi captado no cais, em Vila Nova de Gaia, para um vídeo promocional. Cada segundo que se vê custou cerca de meia hora de trabalho no local.

Quanto tempo demora, na verdade

É a pergunta que muda a conversa. Um plano de timelapse de cinco segundos precisa de cento e vinte a cento e cinquenta fotografias. Com um intervalo de dez segundos entre cada uma, são vinte e cinco minutos com a câmara parada naquele sítio, sem a poder usar para mais nada.

Num hyperlapse é pior, porque entre cada fotografia é preciso mover a câmara sempre a mesma distância, alinhada com o mesmo ponto. Cinco segundos de vídeo podem ser quarenta minutos a andar de tripé na mão, passo a passo, na rua.

Depois há a montagem: estabilizar, corrigir as variações de luz entre fotografias — o chamado flicker — e tratar a cor. É lento, e é a razão pela qual um timelapse bem feito se distingue de um mal feito à primeira vista.

Onde é que faz mesmo falta

Para mostrar uma transformação

É a melhor utilização que tem. Uma sala vazia a transformar-se em sala montada. Um espaço a encher-se de convidados. Uma obra ao longo de meses. Nestes casos o timelapse não é um efeito — é a única maneira de mostrar uma coisa que demora tempo a acontecer.

Para mostrar um sítio antes de a ação começar

Num vídeo de casamento uso timelapse quase sempre no mesmo momento: a quinta ou a igreja antes de haver gente, com a luz a mudar. Serve de plano de abertura e explica onde é que estamos sem ninguém ter de dizer nada.

Para um vídeo de espaço ou de empresa

Numa quinta, num hotel, numa loja ou numa fábrica, o hyperlapse resolve um problema concreto: percorrer o espaço todo depressa sem cortes, mostrando como as partes se ligam. É uma das técnicas que uso em vídeo institucional.

Onde é que não faz falta nenhuma

Em qualquer momento em que haja alguém a falar, a chorar ou a dançar. Timelapse tira o som e tira o tempo real, que são as duas coisas de que uma emoção precisa.

Num filme de casamento de vinte minutos costumo usar dois ou três planos destes, e nenhum passa dos seis segundos. São pontuação, não são o texto.

Se precisa de um

Trabalho a partir de Barcelos, no Minho e no resto do país. Para timelapse de obra ou de montagem de espaço, o que preciso de saber é quanto tempo dura o processo e se há eletricidade no local — a partir daí digo-lhe o que é possível.

Diga-me o que quer mostrar e eu digo-lhe se o timelapse é a ferramenta certa. Às vezes não é, e digo-o.