Um cartão de memória falha sem aviso. Um disco morre passados três anos. Um computador é roubado. Nada disto é raro — e qualquer uma destas coisas pode apagar um casamento que não se repete.
Esta é a parte do trabalho que nenhum casal pergunta e que devia ser a segunda pergunta a fazer, logo a seguir ao som.
Porque é que isto é diferente de todos os outros trabalhos
Se perder o ficheiro de um vídeo de empresa, filma-se outra vez. Custa dinheiro e é chato, mas resolve-se.
Um casamento não se filma outra vez. Se o material se perder, acabou. Não há segunda hipótese, não há reconstituição, não há desculpa que sirva.
É por isso que a forma como um videógrafo guarda o material diz mais sobre ele do que o equipamento que leva.
A regra que a indústria usa
Chama-se 3-2-1 e é simples: três cópias do material, em dois tipos de suporte diferentes, e uma delas fora do sítio onde estão as outras.
Não é uma invenção de videógrafos. É a regra que se usa para guardar seja o que for que não se pode perder.
Como é, no meu caso, hora a hora
Durante o dia — dois cartões ao mesmo tempo
As câmaras que uso gravam em dois cartões em simultâneo. Não é um cartão a encher e depois o outro: é a mesma imagem escrita nos dois ao mesmo tempo.
Se um falhar a meio da cerimónia — e já vi acontecer — o outro tem tudo, e eu nem dou por isso até à noite.
Nessa noite — dois discos, antes de dormir
Chego a casa e a primeira coisa que faço, antes de dormir, é passar o material para dois discos diferentes.
Só depois disso é que os cartões são formatados. Nunca formato um cartão no próprio dia, nem que tenha de comprar mais cartões — que foi exactamente o que fiz.
Na primeira semana — uma cópia sai de casa
Uma terceira cópia deixa de estar onde estão as outras duas.
A razão é desconfortável mas é real: um incêndio, uma inundação ou um assalto levam tudo o que está na mesma sala. Duas cópias na mesma casa são, para esse efeito, uma cópia só.
Depois da entrega — guardado um ano
Quando o filme está entregue, o material original não vai fora. Fica guardado durante pelo menos um ano.
Serve para uma coisa concreta: se daqui a oito meses quiserem uma versão diferente, um momento que não entrou, ou um clip para mostrar a alguém, ainda dá. Se o material já tiver sido apagado, não dá.
O que perguntar a quem estiverem a avaliar
Quatro perguntas, e as respostas dizem-vos tudo:
- As câmaras gravam em dois cartões ao mesmo tempo? Se não, há um ponto único de falha durante o dia inteiro.
- Quando é que faz a primeira cópia? A resposta certa é nesse dia, antes de dormir. Não “na segunda-feira”.
- Quantas cópias, e alguma sai de casa? Duas cópias na mesma sala não protegem de um incêndio.
- Quanto tempo guarda o material depois de entregar? Se for apagado à entrega, qualquer pedido posterior é impossível.
Ninguém se ofende com estas perguntas. Quem trabalha a sério gosta que as façam, porque é uma das poucas coisas que o distingue e que não aparece no portefólio.
Uma coisa que não prometo
Não prometo que nunca vai falhar nada. Prometo que quando falhar — e uma vez por ano falha alguma coisa — haverá sempre uma segunda cópia do que interessa.
É a diferença entre um problema meu, que resolvo sem vocês saberem, e um problema vosso, que já não tem solução.

