Esta página não é para casais. É para fotógrafos que vendem pacote completo e precisam de alguém para a parte do vídeo — e que já foram queimados uma vez por escolher mal.
Subcontratar vídeo parece simples até ao dia em que corre mal. E quando corre mal, quem leva com o cliente à frente não é o videógrafo: é você, que vendeu.
O risco que está mesmo a correr
Quando põe vídeo no seu pacote, está a assinar por trabalho que não vai fazer. O casal contratou-o a si. Se o filme atrasar seis meses, se o som da cerimónia não se perceber, se o videógrafo aparecer a estorvar nas suas fotografias — a reclamação chega ao seu telefone.
É por isso que a escolha do parceiro de vídeo é uma decisão de risco, não uma decisão de preço.
O que perguntar antes de fechar
Como grava o som
É a primeira pergunta e elimina metade das pessoas. Se a resposta for “com o microfone da câmara”, os votos vão ficar por baixo do eco da igreja e o cliente vai reparar.
A resposta que quer ouvir tem várias fontes em simultâneo e redundância: lapela no noivo, gravador junto ao celebrante, ambiente para a sala, e uma segunda gravação a duplicar o que importa.
Quantas pessoas leva
Um operador ou dois muda tudo — o custo, o espaço que ocupam, e quantos ângulos consegue em momentos que acontecem uma vez só.
Também muda o seu dia de trabalho. Duas equipas de vídeo num corredor de igreja com uma equipa de fotografia é uma receita para se estorvarem.
Que prazos escreve, por escrito
Se alguém lhe prometer o filme final em trinta dias em plena época alta, ou tem equipa de montagem ou vai falhar. E quem falha o prazo faz o seu cliente ligar-lhe a si.
Prefira quem diz um número maior e o cumpre.
De quem são os ficheiros
Combine antes: quem entrega ao cliente, em que formato, e quem pode publicar o quê. Um videógrafo que publique o casamento no Instagram dele antes de o senhor entregar as fotografias cria-lhe um problema que não é seu.
O que eu faço, e o que não faço
Trabalho com fotógrafos há anos e a maior parte dos casamentos que filmo chega assim. O acordo é sempre o mesmo:
- Não falo de preço com o seu cliente. O cliente é seu. Nunca lhe passo um cartão, nunca lhe sugiro contratar-me directamente, e se ele me perguntar quanto custa, respondo que fale consigo.
- Combino consigo antes do dia. Cinco minutos ao telefone: posições na cerimónia, quem manda na hora do retrato, quando é que se liga uma luz.
- Na hora do retrato, quem manda é o fotógrafo. Fico atrás de si, uso a sua direcção, e não peço poses.
- Não apareço nas suas fotografias. É a coisa que mais irrita um fotógrafo e é evitável se as posições estiverem combinadas.
- Entrego-lhe a si, não ao casal, se for isso que preferir.
Como fica o preço
Cobro menos a um fotógrafo do que a um casal, e não tenho pudor em explicar porquê.
Quando um casal me contrata, eu vendo: há mensagens durante meses, chamada, contrato, explicações, e o risco da data ficar presa enquanto alguém decide. Quando o senhor me contrata, nada disso existe — já vendeu, já explicou, já assumiu o risco. Chega-me uma data, um local e um briefing de dois minutos.
É o mesmo dia de trabalho, mas é metade da operação. E vem em volume: um fotógrafo com quem trabalho bem traz-me casamentos todos os anos, não um.
Distingo o dia de captação da montagem, porque são trabalhos diferentes. Há fotógrafos que só querem o material filmado e montam eles. Há quem queira o filme acabado. Digo-lhe o valor das duas hipóteses e escolhe.
Se quiser experimentar
A maneira sensata de começar não é o casamento mais importante da sua época. É um em que não haja pressão, para ver como corre trabalhar comigo antes de me pôr num pacote grande.
Diga-me uma data e o local. Respondo a dizer se estou livre e com valores para as duas hipóteses.

